Rentabilidade das aves: 5 chaves para aumentar a eficiência alimentar.
A eficiência alimentar é um fator fundamental que afeta a lucratividade e a sustentabilidade da produção avícola, e as melhorias na área nos últimos 50 anos foram notáveis - impulsionadas principalmente pelo melhoramento genético, estratégias nutricionais e práticas de manejo.
Isso significa menor consumo de ração, menores custos de produção e menor impacto ambiental. No entanto, ainda pode haver espaço para melhorias a fim de otimizar a eficiência alimentar e, ao mesmo tempo, reduzir os custos com ração e os efeitos ambientais da avicultura.
1) Vitaminas
As vitaminas representam uma pequena parte do custo da ração das aves, mas são essenciais para o crescimento, a saúde, a eficiência alimentar e funções reprodutivas. As vitaminas que ocorrem naturalmente nas matérias-primas variam muito e raramente atendem às exigências modernas de produção.
Tradicionalmente, as vitaminas têm sido adicionadas às rações para aves com base no conhecimento de que algumas vitaminas são deficientes nas matérias-primas e outras são perdidas durante a fabricação e o armazenamento. Como o custo desses nutrientes era relativamente baixo, não era tão custoso ser generoso com a suplementação de vitaminas.
Hoje, porém, não é tão simples. As vitaminas estão se tornando mais caras. Também temos um melhor entendimento de como proteger as vitaminas sensíveis. As recomendações de vitaminas para aves são baseadas em estudos com mais de 30 anos e estão desatualizadas.
Isso pode levar a deficiências sutis de vitaminas que são difíceis de detectar, pois podem causar um desempenho abaixo do ideal em termos de crescimento, eficiência alimentar ou produção de ovos; perdas que geralmente são atribuídas a outros fatores, como manejo inadequado, problemas entéricos ou estresse.
2) Minerais orgânicos
Assim como no caso das vitaminas, a compreensão das exigências exatas de minerais das aves modernas é limitada. As mesmas recomendações desatualizadas se aplicam. Pesquisas recentes sobre minerais indicam que as recomendações atuais são inadequadas para a avicultura moderna e que a suplementação de minerais pode melhorar os retornos econômicos, especialmente em produções intensivas.
Os minerais orgânicos são frequentemente adicionados em excesso nas dietas de aves na forma de minerais inorgânicos (sulfatos ou óxidos) devido ao seu custo relativamente baixo, à ampla margem de segurança e para compensar a baixa biodisponibilidade. Essa prática geralmente resulta em aumento da excreção de minerais e pode causar contaminação ambiental. Os minerais orgânicos surgiram como uma solução.
Os minerais orgânicos possuem maior biodisponibilidade e garantem absorção com excreção reduzida e melhor desempenho. Vários estudos mostram que a substituição de minerais inorgânicos por orgânicos promove maior digestibilidade dos minerais.
Além disso, você pode obter melhores resultados com menos! Concentrações mais baixas de minerais orgânicos—até 50% menos—podem levar à desempenho semelhante em comparação a 100% dos níveis recomendados de minerais inorgânicos.
3) Enzimas
As enzimas quebram moléculas complexas em moléculas mais simples e são usadas para melhorar a digestibilidade e a disponibilidade de nutrientes na ração. As enzimas podem ser amplamente categorizadas em fitases microbianas para a degradação do fitato, carboidrases para cereais como trigo, centeio e cevada, xilanases para cereais como milho e sorgo, e proteases para melhorar a digestibilidade da proteína.
Em última análise, a escolha da enzima depende do substrato disponível, e isso está aumentando com o uso de coprodutos nas dietas de aves. No entanto, como os nutrientes dos alimentos são estruturalmente complexos, deve-se considerar o uso de combinações de enzimas, ao invés de enzimas individuais. O uso de combinações de enzimas resulta em maior eficiência alimentar, aumentando a digestibilidade dos macronutrientes e permitindo flexibilidade frente à disponibilidade de diferentes ingredientes.
4) Probióticos
É bem sabido que a chave para melhorar a eficiência alimentar de qualquer espécie animal é um trato gastrointestinal saudável, e uma microbiota em equilíbrio é essencial para um trato gastrointestinal saudável. Dessa forma, os microrganismos benéficos são utilizados há muito tempo para melhorar a saúde intestinal dos animais de produção.
Os probióticos têm vários mecanismos de ação—dependendo da espécie e da cepa—e todos eles trabalham para otimizar as funções intestinais, manter uma microbiota equilibrada e ajudar a reduzir os microrganismos patogênicos, levando a melhorias na eficiência alimentar. Entre as muitas espécies probióticas usadas na saúde animal, as do gênero Bacillus são amplamente utilizadas devido ao seu efeito positivo na saúde e no bem-estar dos animais e à sua capacidade de esporular e assim serem resistentes ao calor.
Além de melhorar a saúde intestinal, algumas cepas de Bacillus podem melhorar a digestibilidade dos nutrientes. Ao produzir várias enzimas que quebram moléculas complexas de ração, além de melhorar a absorção de nutrientes por meio da melhoria da estrutura do epitélio intestinal, esses microrganismos benéficos aumentam a eficiência da ração e reduzem os custos de produção.
5) Micotoxinas
As micotoxinas estão presentes em grande parte das rações do mundo. Devido ao alto risco das micotoxinas para a saúde animal e humana, a maioria das regiões possui regulamentações para limitar os níveis aceitáveis de micotoxinas. Em comparação com o resto do mundo, a União Europeia tem as regulamentações mais rigorosas para os níveis de micotoxinas na ração de aves.
Entretanto, apesar das regulamentações rigorosas, a exposição prolongada a baixos níveis de micotoxinas (ou seja, abaixo dos limites da UE) afeta negativamente a eficiência da ração. Mesmo os níveis de micotoxinas que não parecem afetar a saúde animal podem levar à prejuízos.
Sabe-se que as principais micotoxinas afetam negativamente o desempenho dos animais. Embora a redução do ganho de peso seja aparentemente atribuída à redução do consumo de ração, há muitas evidências que relacionam um efeito indireto das micotoxinas à digestibilidade e à absorção de nutrientes.
Foi demonstrado que as micotoxinas afetam negativamente a digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia, modulam a atividade das enzimas digestivas, modificam a morfologia intestinal e prejudicam a absorção dos nutrientes. Considerando os efeitos variados das micotoxinas sobre a digestão, é razoável atribuir a piora do desempenho animal às mudanças nos processos digestivos e à redução da eficiência alimentar.
Bônus: Fatores ambientais
É óbvio que um dos principais fatores que contribuem para melhorar a eficiência alimentar é a composição nutricional da dieta. Entretanto, há muitos componentes não nutricionais que podem contribuir para a saúde e o bem-estar das aves e melhorar a eficiência alimentar.
As condições de alojamento são importantes para melhorar a eficiência alimentar das aves. Elas afetam as respostas fisiológicas e comportamentais das aves - existe uma ciência para a otimização do ambiente. Isso inclui temperatura, iluminação, densidade animal e enriquecimento ambiental.
A luz é um poderoso fator exógeno que controla muitos processos fisiológicos e comportamentais. Uma iluminação adequada, incluindo fonte, intensidade, duração e comprimento de onda é fundamental para melhorar o desempenho e o bem-estar das aves.
A manutenção da temperatura e da umidade nas instalações avícolas comerciais está diretamente relacionada à produtividade das aves - ambientes termoneutros maximizam a produtividade das aves. Isso está se tornando cada vez mais importante com as mudanças climáticas atuais.
Sabe-se que o consumo de ração diminui com o aumento da temperatura ambiente, embora tenha sido observado que a redução no ganho de peso pode ser maior do que a redução no consumo de ração, indicando uma redução da eficiência alimentar.
Há muito tempo, esse problema é atribuído à incapacidade das aves de crescimento rápido de perder calor metabólico e aos efeitos fisiológicos do superaquecimento. Uma abordagem equilibrada, composta por genética, nutrição e diferentes estratégias de manejo, poderia atenuar esse problema.
Por que isso é importante?
O fornecimento dos nutrientes certos é muito importante para melhorar a eficiência alimentar das aves. O setor avícola atual está muito diferente - novas linhagens genéticas, práticas de manejo e desafios merecem programas nutricionais atualizados para evitar deficiências.
Com o desenvolvimento de novas pesquisas, a reavaliação dos níveis recomendados de nutrientes está em andamento. Isso significa que os níveis recomendados atualmente podem estar abaixo do ideal para as linhagens modernas de aves de alto desempenho, podendo levar a deficiências. Uma revisão das exigências de vitaminas e microminerais pode resultar em maior eficiência alimentar.
Além disso, as dietas atuais para aves contêm ingredientes de várias fontes. A necessidade de manter os custos de produção baixos exigiu a inclusão de ingredientes menos digestíveis, mas biodisponíveis, nas dietas das aves. Isso significa que a adição de vitaminas, minerais biodisponíveis, probióticos, combinações de enzimas e adsorventes de micotoxinas se tornará cada vez mais importante para otimizar a eficiência da ração.
Mesmo pequenas mudanças na eficiência alimentar terão um impacto significativo nos lucros. Uma estratégia eficaz para reduzir os níveis de contaminantes na ração e melhorar a eficiência alimentar das aves ajudaria a reduzir os custos de produção e as contaminações ambientais.
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